23 de dezembro de 2009

Não raro ao olhar a nossa volta é perceber como a vida humana é datada, programada em uma seqüência cronológica; fazemos planos futuros, pensamos no passado e vivemos no presente, é comum escutar perguntas como: “que horas são?”, “que dia?”, “que ano?”...
       O tempo esta tão presente na humanidade, que acompanha toda a vida do individuo, o que já é um ótimo motivo para tentar ser entendido pelo próprio homem, enquanto mais se conhece algo melhor se posiciona perante ele, o que faz a banalização deste tema nos levar a uma superficialidade perigosa, visando a tamanha utilidade e inseparabilidade do homem ao tempo. Mas superficialidade não é vista como um mal nas massas, para o vulgo – pessoas que fazem parte de um rebanho – a superfície já é profunda o bastante, peculiaridade de quem vive de fast-food intelectual, cheio de respostas prontas, definições ensaiadas, que acomodam o individuo em sua compreensão de mundo e de si mesmo.
       O eterno é definido como o que sempre existiu, não tem principio e nunca chegara a seu fim. Como podemos notar o eterno depende da existência contínua de algo; quem afirma que houve ou haverá a ausência de tudo, mesmo assim seria a existência do vácuo e do nada, lá estaria a eternidade e conseqüentemente o tempo podendo ser dividido de forma cronológica; a Constancia da existência das coisas em seu caminho para eternidade (para os espiritualistas ou para nadificação em sua morte (para materialistas) mesmo que for a do nada faz com que a eternidade não seja utopia. Em contraponto com a eternidade, o tempo, não depende da existência de algo, ele depende da presença do ser consciente. Como a consciência tem dificuldade de trabalhar em desordem, o tempo é a fragmentação da eternidade, uma maneira de situarmos, pois, estamos contidos nela, ou seja, tempo é um regulador social.
       O tempo não está nas coisas, nelas permanecem as mudanças, e sim na subjetividade humana. O eterno está fora do homem e é independente dele, enquanto o tempo está dentro do homem e foi criado por ele, é seu dependente, tão subjetivo é que parece ser diferente, mesmo que faça parte da mesma divisão, o tempo do entediado do tempo de quem tem inúmeras coisas a fazer, por ai poderiam seguir vários exemplos. A interpretação de mundo é interna ao homem, a mesma coisa seria a interpretação do tempo.
Quando falamos nisto existem duas maneiras, que vem das palavras gregas: Kairós e Cronos.
Cronos é a simples divisão na forma racional, aquilo que chamamos de cronologia. A esta forma de tempo dividimos em passado, presente e futuro. O passado existiu, logo, não existe. O futuro é a projeção de quem está no presente, a consciência planeja uma ação, mas também ainda não existe. O que existe está no presente. Ele é a parcela mais indivisível do tempo, nada mais que a rápida mudança do futuro para passado. O futuro é plano (abstrato), presente (concreto): é o que fazemos exercendo nossa liberdade sobre o futuro, o passado (abstrato) é o concreto sendo abstrato novamente. O tempo é um ciclo: Abstrato – concreto – abstrato.
Quando situamos no Cronos podemos perceber que mais deixamos de ser algo do que propriamente somos. O que existe nele só está existindo em uma fração de segundos, e na mesma fração já deixou de ser. “Ninguém se banha duas vezes nas águas do mesmo rio” (Heráclito de Éfeso). Heráclito resume nesta frase a velocidade da mudança, pois, as águas do rio nunca serão as mesmas assim como o homem que nela entrar será outro homem a cada segundo, com experiências positivas ou negativas adicionada. O mundo é sempre urgente, porque todo segundo é extremo. Um exemplo: sabe tudo o que leu acima? Então é passado, já deixou de ser; a informação será presente, mas o texto passado, e conseqüentemente aderindo uma nova informação você já não é a mesma pessoa, todo presente é mutação do passado.
O Kairós não acontece de forma mecânica com o objetivo de situação no ambiente que nos cerca, como acontece com o Tempo no Cronos, ele é o tempo propicio, oportuno. Um Exemplo: Uma pessoa com pouco tempo tem a disponibilidade de ir ao banco, mas só tem uma oportunidade de ir, quando chega percebe que foi muito rápido o atendimento, a hora que escolhera não era de costume movimentação, então este momento foi perfeito a sua necessidade, foi o tempo propicio, embora cronos estivesse em sua contagem, kairós era o momento que a pessoa estava vivendo. Logo cronos é razão, kairós é a boa experiência é cronos aproveitado da melhor forma possível. 
       Quando falamos do tempo e suas divisões falamos de experiências pessoais sobre o próprio tempo, ele pode acontecer em nossa vida como algo indiferente ou como um oportunidade da melhor experiência possível que o tempo e as condições nos proporcionaram. Mas como vimos também até o kairós é urgente, visto que cronos é passageiro assim como nossas oportunidades, muitas vezes estamos no tempo certo, com oportunidades ideais, mas vivendo este período com uma ação que não corresponde ao que nosso tempo pede. Nada pior que a pessoa certa no local propicio e ação ou palavra errada ou a pessoa certa com ação certa em local inadequado.

       Qual sua capacidade de transformar Cronos em kairós? Mecanicismo em experiência emocional de qualidade? Ver as oportunidades e corresponde-las?
       “- O que mais te surpreende na Humanidade?
 “[Dalai Lama] - Os homens… Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer…
e morrem como se nunca tivessem vivido.”
“Tempo: coisa que deixa a querida leitora mais velha ao fim destas linhas” (Mário Quintana).


5 comentários:

  1. O homem hoje vive na base do tempo!!
    =)

    Amei o blog

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  2. É só ver o que diz a mulher do tempo no jornal...

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  3. Antonio Edson Belther15 de janeiro de 2010 14:08

    Guilherme, eu postei um comentário no seu blog mas não saiu. ehhhhhh

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  4. Guilherme, 2010 já começou e você nada postou.





    Antonio.

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  5. Muito interessante este blog, parabéns!

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