1 de outubro de 2009

É Noite (Fernando Pessoa, pseudônimo: Alberto Caeiro)

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância
Brilha a luz duma janela.
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça.
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é,
Atrai-me só por essa luz vista de longe.
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão. Mas agora só me importa a luz da janela dele.
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido,
A luz é a realidade imediata para mim.
Eu nunca passo para além da realidade imediata.
Para além da realidade imediata não há nada.
Se eu, de onde estou, só veio aquela luz,
Em relação à distância onde estou há só aquela luz.
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela.
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância.
A luz apagou-se.
Que me importa que o homem continue a existir?

3 comentários:

  1. li è noite e gostei muito

    te encontrei na comunidade de divulgação do orkut...

    virei mais vezes

    vale a pena visitar
    maquiagens http://sentimentosreias.blogspot.com/
    musica anos 80 http://romanceinmusic.blogspot.com/
    comentem e siga

    te espero la bjs mary

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  2. Oi Mary, seja bem vinda ao blog...
    Vi os seus e estou seguindo seu blog sobre Músicas da década de 80, achei muito legal.

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  3. Antonio Edson Belther9 de janeiro de 2010 15:17

    Fernando Pessos é, quiçá, o maior poeta da língua portuguesa, mas nós brasileiros não ficamos devendo nada a eles, temos Carlos Drumond que é quase tão bom quanto.

    Antonio

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