31 de maio de 2011

O mundo muda

Em mínimos passos
Feito por pessoas mudas
De pés descalços



De almas limpas
E salários ralos
De aparência mínima
E atos fartos

O mundo é mudo
De pés descalços
De almas mínimas
Cheia de calos

E muda o mundo
O ato mudo
Pra que barulho

Se o mundo é surdo?!

28 de maio de 2011

Fé Solúvel (Fernando Anitelli) - Teatro Mágico

É, me esqueci da luz da cozinha acesa
de fechar a geladeira
De limpar os pés,

Me esqueci Jesus!


De anotar os recados
Todas janelas abertas,

onde eu guardei a fé... em nós
Meu café em pó solúvel
Minha fé deu nó
Minha fé em pó solúvel

É... meu computador
Apagou minha memória
Meus textos da madrugada
Tudo o que eu já salvei

E o tanto que eu vou salvar
Das conversas sem pressa
Das mais bonitas mentiras

Hoje eu não vivo só... em paz
Hoje eu vivo em paz sozinho
Muitos passarão
Outros tantos passarinho


Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça-me um favor


Um favor... por favor

A razão é como uma equação
De matemática... tira a prática
De sermos... um pouco mais de nós!

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça-me um favor


Um favor... por favor

23 de maio de 2011



















Se até no oco há o Vácuo
E o vazio algo preenche
Como louco me perpasso
Do vazio que tem na gente

Do infinito espaço
Sem acabamento ou arte final
Nem um pouco de retoque

Do interno abertamente


Dos sinais mudos, gestos inconscientes
O corpo fala a alma esboça
Mas a voz é a única coisa
Que interpreta a boa gente




23 de abril de 2011

Martha Medeiros

“Tristeza é quando chove
quando está calor demais
quando o corpo dói
e os olhos pesam
tristeza é quando se dorme pouco
quando a voz sai fraca
quando as palavras cessam
e o corpo desobedece
tristeza é quando não se acha graça
quando não se sente fome
quando qualquer bobagem
nos faz chorar
tristeza é quando parece
que não vai acabar”

31 de março de 2011

Ao longo das janelas mortas (Mário Quintana)

Ao longo das janelas mortas

Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate!...Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrivel!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso
Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho...






24 de março de 2011

Homem invisivel
Sem ouvidos dados
Simplesmente sem cor
Muito menos sabor
Sem voz ou olhos
Em um mundo de emprestados
De relações diplomaticas;
Produção em massa de pessoas
Milimetricamente iguais
Vendidos nas esquinas intocaveis
Em suas embalagens plásticas.

17 de fevereiro de 2011

Engraçado ele brinca com brinquedos que ninguem brincam,
Na prateleira  guarda objetos que só há valor para uma única pessoa:
O dono
Fala e se extasia com coisas que não proporciona extase a ninguém
E tentar sentir-se envolto de sentimento de pessoas?! ah! é piada
Estranho é estar num mundo em que o importante é simplesmente subjetivo,
E o que é bom para um será veneno para os demais,
Mais interessante ainda o acumulo de veneno que esta pessoa traz
De tralhas e coisas sem importância guardadas em potes de ouro
Presas para que o mundo não aniquile com o olhar
O intrigante é este desejo do mundo pelo pote
E o meu desejo de notar sem deixar passar
Este jogo de importâncias.